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Xiii, Felipão

In Brasileirão 2010, Palmeiras on 21 de julho de 2010 at 16:48

9ª rodada – Avaí 4×2 Palmeiras

Na estreia de Felipão, Palmeiras esbarra na boa fase do Avaí e perde na Ressacada

Luiz Felipe Scolari finalmente estreou no comando técnico do Palmeiras. Depois da ótima vitória sobre o Santos, com Murtosa no banco, a expectativa da torcida alviverde para o retorno oficial do ídolo não poderia ser melhor. No entanto, o Avaí fez valer a boa fase e, depois do São Paulo, derrotou mais um clube paulista.

Armado com Pierre, Marcos Assunção e Márcio Araújo na proteção da zaga, o Verdão apostou no avanço dos alas para atacar o time da casa. A estratégia deu certo no início, já que a equipe povoou o campo de ataque e abriu o placar com um dos laterais: Gabriel Silva, aproveitando rebote do goleiro após falta cobrada por Assunção.

Tudo parecia tranquilo para o Palmeiras, até que Caio deixou tudo igual aos 23 minutos, em jogada individual. Logo depois, Kleber teve ótima chance de recolocar os paulistas em vantagem, mas Patrick salvou em cima da linha. Quem não faz… Logo na sequência, Robinho virou o jogo.

O momento pareceu melhor novamente para o Palmeiras quando Leonardo Gaciba expulsou Pará, após falta dura em Márcio Araújo, ainda na primeira etapa. Com um a mais, os visitantes foram para o ataque e chegaram ao empate em cobrança de pênalti de Kléber. Quem diria? Um dos times que mais erra pênalti no futebol mundial acertou o pé. Sinal que que a fase após a chegada de Felipão mudou mesmo…Certo? Errado.

No melhor momento palmeirense na partida, a torcida exagerou na festa pelo empate, acendeu muitos sinalizadores e o jogo teve de ser paralisado em razão da grande quantidade de fumaça.  Na volta, os comandados de Felipão não viram a cor da bola.

Depois de acertar o travessão de Deola, Roberto sofreu pênalti de Léo, que acabou expulso. Na cobrança, o arqueiro palmeirense defendeu o chute de Caio, mas ele próprio pegou o rebote e balançou as redes. No fim, Deola saiu da área e acabou driblado por Roberto, sempre ele, e viu o adversário marcar o quarto gol dos catarinenses, definindo o placar.

Os palmeirenses chegaram a culpar a paralisação da partida pelo revés. A equipe realmente voltou muito mal e foi dominada pelos donos da casa mesmo em vantagem numérica.

Fato é que Felipão parece ter trabalho…

Carlitos voltou?

In Brasileirão 2010, Corinthians on 21 de julho de 2010 at 16:31

9ª rodada – Corinthians 1×0 Atlético-MG

Timão sofre, mas bate o Atlético-MG graças ao ‘novo Carlitos’ e se isola na liderança.

O Corinthians encontrava dificuldades e era pressionado quando ele cortou para a perna esquerda, arriscou de fora da área e, contando com um desvio providencial da zaga, abriu o placar para o Corinthians, líder do Brasileirão.

A cena descrita a cima poderia facilmente ser atribuída a Carlitos Tevez, que tantas vezes salvou o Timão na campanha do título nacional em 2005. No entanto, o personagem da vez é Bruno César, principal destaque do Alvinegro na competição.

Apelidado de “Tevez do ABC” em seu ex-clube, o Santo André, pela semelhança física com o argentino, Bruno está no caminho certo para conquistar a Fiel: em seis jogos, marcou quatro gols. Um deles foi numa goleada contra o Santos, outro colocou o time na liderança isolada do torneio. Não tinha como ser melhor.

Na verdade, tinha. O Corinthians começou o jogo partindo para cima do Atlético-MG e, logo aos dois minutos, Werley derrubou Dentinho na área. Pênalti batido e desperdiçado por Chicão, que errou o alvo e mandou à esquerda de Fábio Costa.

Os próprios jogadores da equipe paulista reconheceram que a história do jogo poderia ter sido outra em caso de gol logo no princípio.

Sempre mais presente no campo de ataque, o Corinthians tinha grandes dificuldades para criar grandes lances. O Atlético, por sua vez, conseguia chegar com perigo. No fim do primeiro tempo, Neto Berola acertou o travessão após cruzamento de Leandro. Na segunda etapa, Ricardo Bueno disparou sozinho por duas vezes, mas falhou na finalização.

Depois do gol, o Galo voltou a partir para cima e tentar pressionar os donos da casa. A chance veio, mas Júlio César fez excelente após mais uma tentativa frustrada de Ricardo Bueno, agora com a cabeça.

Sem brilhar desta vez, o Timão chegou aos 21 pontos, dois a mais que o Fluminense. No embalo do ‘novo Carlitos’, que vai conquistando a galera apesar de jogar em outra posição e não ter a qualidade técnica do argentino, o Corinthians vai entrando firma na briga por um título no ano do centenário.

Tensão na Vila

In Brasileirão 2010, Santos on 21 de julho de 2010 at 16:14

9ª rodada – Santos 0x1 Fluminense

Foto: Douglas Aby Saber/AE

Santos volta a perder em dia de desentendimento entre Robinho e Wesley. Flu é vice-líder.

O Santos perdeu pela segunda vez em seu segundo jogo depois da parada da Copa do Mundo. A tensão ronda a Vila Belmiro às vésperas da grande final da Copa do Brasil, contra o Vitória.

Depois do Palmeiras, agora o algoz foi o Fluminense, em plena Baixad Santista. A equipe praiana não jogou mal, dominou o jogo e criou as melhores chances para abrir o placar, mas acabou levando um gol no contra-ataque e perdendo o jogo.

O grande problema foram as atuações dos jogadores diferenciados da equipe. Robinho voltou, Ganso atuou desde o início e Neymar também esteve em campo. Nenhum deles conseguiu brilhar. Para piorar, Neymar acabou substituído novamente. Desta vez não houve reclamação.

André, já negociado com o futebol ucraniano, é outro que ainda não voltou a mostrar seu faro de gol depois do Mundial e acabou substituído por Marcel, que aliás está ganhando espaço com o treinador. Nesta partida, ele acertou uma pancada no travessão e por pouco não espantou a pseudo-crise.

O Fluminense, agora vice-líder da competição, não tem nada a ver com os problemas santistas. Bem ao estilo Muricy, a equipe se segurou na defesa, saiu em velocidade e definiu a vitória com um gol de Alan, aos 32 minutos do segundo tempo: 1×0. Olho no Fluzão!

Já aos santistas deve-se pedir calma. A pequena série de derrotas fez com que muitas pessoas culpassem a marra de Neymar e o assédio da galera aos jovens. Esqueceram que o garoto foi campeão paulista e ajudou a levar o clube à final da Copa do Brasil mesmo com essa marra toda?

A briga entre Robinho e Wesley, que ganhou o noticiário nos últimos dias, também não parece ter sido nada grave. Claro que o celular do volante e o retrovisor do atacante, vítimas do desentendimento, serão substituídos com facilidade. O Santos não perdeu por isso.

Falta a equipe o mesmo ritmo de jogo do início da Copa e um pouco mais de malícia para fugir da marcação. Ou voc~es achavam que, depois de um primeiro semestre encantado, a garotada teria moleza diante dos marcadores? Diguinho que o diga.

“Eles são jogadores rápidos e a gente acaba tendo de parar as jogadas com faltas e recebendo o cartão amarelo. Consegui me controlar para continuar em campo até o fim e conquistar mais uma vitória importante”, disse o volante do Fluminense, principal responsável pela marcação dos homens de frente santistas.

Calma, torcedor. O Peixe vai melhorar.

Voltou (bem) pior

In Brasileirão 2010, SPFC on 18 de julho de 2010 at 15:53

9ª rodada – Vitória 3×2 São Paulo

Foto: Fernando Amorim/AE

Tricolor volta a jogar mal e perde novamente. Leão quebra jejum de nove anos sem vitórias sobre os paulistas.

O que o são-paulino mais temia parece realmente ter acontecido. O embalado Tricolor, que apresentou bom futebol a partir das quartas de final da Libertadores, quando destroçou o Cruzeiro, parece ter sofrido com a parada para a Copa do Mundo.

Após um mês dividido entre descanso e treinos, a equipe de Ricardo Gomes perdeu completamente o rumo: está sem padrão tática, com dificuldades na criação e problemas incompreensíveis na ótima defesa, que estava bem acertada antes do recesso, com o agora criticado Richarlyson improvisado por ali.

A única mudança do time que perdeu para Avaí e Vitória é a entrada de Jean na lateral direita, ocupando a vaga deixada por Cicinho. Todos sabem que o nível não foi mantido, já que o volante tem dificuldades pelo setor, mas o problema são-paulino depois da Copa está longe de ser só esse.

Na outra lateral, Júnior César fez duas partidas ruins, no ataque e na defesa. O trio de zagueiros não se encontra e o ataque só tem conseguido engrenar nos minutos finais da partida. Até o capitão Rogério Ceni parece estar sentindo os efeitos das férias.

Contra o Vitória, ficou parado no primeiro gol, anotado por Elkeson logo no começo do jogo; na cabeçada de Schwenck, logo aos dois do segundo tempo, poderia ter ido com mais firmeza; e no gol de Ramon (que completou 200 jogos pelo clube baiano) deixou o canto aberto e facilitou a vida do meio-campista.

O São Paulo teve dois bons momentos na partida e foi exatamente quando conseguiu marcar seus gols. No fim do primeiro tempo, a equipe povoou o campo de ataque e, apesar de não criar chances muito agudas, conseguiu empatar com um gol de Jean, de fora da área. Da metade do segundo tempo em diante, o time finalmente apresentou um bom volume de jogo, marcou um gol de cabeça com Fernandão e poderia até ter empatado.

As entradas de Cléber Santana e Fernandinho nos lugares de Marlos e Dagoberto melhoraram a equipe, mas os gols perdidos prejudicaram. O mais impressionante foi desperdiçado por Fernandão, após jogada de Fernandinho pela esquerda. Ele finalizou para fora, na pequena área, pouco antes de ser substituído por Washington.

Resumo da ópera: o Vitória quebrou um tabu de nove anos sem vencer o São Paulo, que precisa juntar os cacos e reencontrar o padrão de jogo para ter chances de passar pelo Inter, na Libertadores. Só a tradição e o Morumbi não parecem ser suficientes para mudarem esse cenário na competição continental.

Com a cara do chefe?

In Brasileirão 2010, Palmeiras, Santos on 17 de julho de 2010 at 4:46

8ª rodada – Palmeiras 2×1 Santos

Foto: Ricardo Matsukawa/Terra

Com Felipão nas tribunas da “nova casa”, Verdão vence o time sensação do primeiro semestre e empolga a torcida.

Luiz Felipe Scolari chegou ao Brasil há poucos dias e nem sequer esteve no banco de reservas do Palmeiras no duelo contra o Santos. Mesmo assim, a ótima vitória conquistada pelo Verdão é atribuída por muitos à chegada do novo chefe, que foi representado por Murtosa na beira do gramado. Será?

Já sem Cleiton Xavier, negociado com o futebol ucraniano, a equipe foi a campo com três volantes: Marcos Assunção, Edinho e Márcio Araújo. Pierre, machucado, também não pôde jogar, mas será o único remanescente do ótimo meio-campo que brilhou em boa parte de 2009 e até em 2010, com CX10 e Diego Souza, que foi para o Galo.

Aliás, a saída de Cleiton Xavier para um clube do segundo escalão da Ucrânia é incompreensível. A qualidade do jogador é inegável e sua passagem pelo Palmeiras foi muito positiva. Havia espaço para ele num mercado mais glamuroso, como o futebol alemão, por que não?

No Palmeiras, a vida já começou a seguir sem ele. Com a formação escolhida por Murtosa, os garotos do Santos não tiveram espaço para mostrarem o belo futebol da primeira metade do ano. Neymar, inclusive, foi substituído por Marcel no segundo tempo e saiu reclamando de Dorival Júnior. Aparenta se muito mimado o ótimo moleque do Peixe.

Outro ótimo moleque é Tinga, recém trazido da Ponte Preta. Ele estreou no Pacaembu, entrando no lugar Lincoln, e balançou as redes em um de seus primeiro toques na bola, aos 21 do segundo tempo. Antes, aos 17 da primeira etapa, Ewerthon havia marcado um golaço, com um chutaço de fora da área.

No fim, Marcel diminuiu para o Santos com mais um gol muito bonito. No fim, a bola passou por Deola e Vitor quase marcou contra, assustando a parte verde do estádio, que será utilizado pela equipe durante as reformas do Palestra Itália.

Venceu, convenceu por alguns minutos e empolgou. Dedo do chefe?

É esperar para ver.

Obrigado, Fluzão

In Brasileirão 2010, Corinthians on 17 de julho de 2010 at 4:28

8ª rodada – Ceará 0x0 Corinthians

Em duelo de líderes e boas defesas, Timão e Ceará ficam no zero e permanecem na ponta graças ao tropeço do Fluminense.

A defesa do Ceará impressiona. Em oito jogos, os nordestinos sofreram apenas um gol, originado num pênalti inexistente convertido por Neymar. Nesta quarta-feira, a ausência dos principais atacantes corinthianos colaborou para que os comandados de Estevam Soares não fossem vazados novamente.

Contundido, Dentinho ficou em São Paulo, assim como Ronaldo, que ainda não está em condições de jogo após a lesão na panturrilha, sofrida ainda antes da Copa do Mundo. Defederico e Iarley bem que tentaram, mas não têm a qualidade necessária para ostentarem a titularidade do Alvinegro.

Destaque positivo para Roberto Carlos, que voltou das férias aparentemente em forma e teve boa atuação, o que é praxe em sua passagem pelo clube. Danilo e Bruno César, dupla de meias que ganhou entrosamento durante o Torneio Amistoso Cidade de Londrina (perdido para o Atlético-PR), também merece elogios pela boa movimentação apresentada no Castelão.

Acima de todos, o substituto de Felipe: Júlio César. O goleiro corinthiano foi preterido por Rafael Santos durante o primeiro semestre e era última opção de Mano Menezes. Na volta do recesso, as coisas estão em seus devidos lugares e o prata da casa segue mostrando que tem qualidade.

Não fossem ele e a sorte, o Ceará teria vencido. Logo no começo do jogo, Misael conseguiu driblar o arqueiro, que se recuperou e conseguiu fazer ótima defesa. Aos 22 da etapa inicial, a melhor chance, com Ernandes, que cabeceou mal, dentro da pequena área.

No confronto da melhor defesa do campeonato com a quarta melhor, o resultado não poderia ter sido outro. Com o empate contra o Grêmio Prudente, o Fluminense perdeu a chance de assumir a ponta e a liderança continua duplamente alvinegra. Vantagem para o Corinthians, que tem um gol a mais de saldo.

Malucos

In Brasileirão 2010, SPFC on 17 de julho de 2010 at 4:14

8ª rodada – São Paulo 1×2 Avaí

Foto: Rubens Chiri/Site Oficial do SPFC

No aniversário do Tri, São Paulo perde em noite infeliz de Ricardo Gomes e do árbitro.

Um dos quatro melhores times da América voltou de ressaca ao Campeonato Brasileiro. O Tricolor foi derrotado pelo Avaí no primeiro dos quatro confrontos que antecedem os jogos com o Internacional, pelas semifinais da competição continental.

Por falar em competição continental, o dia 14 de julho é muito especial para os torcedores tricolores. Nesta data, há cinco anos, o clube conquistava seu terceiro título da Libertadores, numa vitória épica sobre o Atlético-PR, por 4×0, no Morumbi lotado.

O Tricolor foi escalado por Paulo Autori com Rogério Ceni; Fabão, Lugano e Alex; Cicinho, Mineiro, Josué, Danilo e Júnior; Amoroso e Luizão. O contestado Diego Tardelli, que hoje brilha no Atlético-MG, entrou durante a partida e marcou o último gol. Os outros foram de Amoroso, Fabão e Luizão, nesta ordem.

No banco atleticano estava Antônio Lopes, único dos personagens daquela noite de quinta-feira, ao lado de Rogério Ceni, a estar no Morumbi no 14 de julho de 2010. Em sua estreia pela equipe catarinense, o delegado levou os torcedores à loucura. Aliás, “loucura” foi o que não faltou nesta partida.

Para começar, a escalação de Jean como lateral direito é uma loucura. Com a saída de Cicinho e a dispensa de Adrián González, não restam opções à comissão técnica, mas o ótimo volante são-paulino é muito limitado atuando pelo lado do campo.

Mesmo com essa deficiência, o São Paulo não era ameaçado pelo oponente até a saída de Rodrigo Souto para a entrada de Cléber Santana. Richarlyson, que jogava como zagueiro, passou para o meio-campo e poucos minutos se passaram até o que o Avaí estivesse com dois gols de vantagem no placar, gols de Roberto e Vandinho.

Aos poucos, o Sampa se acertou e conseguiu diminuir com Hernanes, numa bomba de perna esquerda. Pouco depois, o camisa 10 quase marcou o segundo. Como prêmio pela boa atuação, foi descansar mais cedo e deu lugar a Washington.

Como assim, Ricardo Gomes? Tirar o principal armador do time, que vinha jogando bem e, como ele mesmo falou, não estava cansado ou contundido, é uma loucura, professor!

Outro maluco é o árbitro Francisco Carlos Nascimento, que marcou falta fora da área num lance em que Dagoberto foi claramente derrubado dentro dela. Na cobrança, Rogério Ceni levantou a galera, mas preferiu fazer um cruzamento a tentar o gol. Outra maluquisse!

Em noite incomum, o São Paulo teve mais erros do que acertos. De bom, ficam os 20 minutos finais. De resto, Ricardo Gomes deve encontrar dificuldades para corrigir em 13 dias o que não conseguiu em 30.

ATUAÇÕES

Aprovados: Marlos e, principalmente, Hernanes. Não dá para entender a saída do camisa 10.

Reprovados: Jean não foi bem no lugar de Cicinho e Ricardo Gomes foi infeliz nas substituições.

A volta do futebol

In Futebol Brasileiro on 13 de julho de 2010 at 18:07

Assim como o Campeonato Brasileiro, o blog ficou em recesso durante a Copa do Mundo. Agora, com o retorno do futebol pelo Brasil, voltará à ativa. Não porque o Mundial da África do Sul não tenha importância e charme, nada disso. Tem. E tem muito! Mas, cá entre nós, futebol é cotidiano. Se a Copa é um espetáculo que envolve o futebol, no dia a dia, a bola rolando é que faz o espetáculo!

Com o retorno dos grandes clubes às atividades, o intrigante “Caso Bruno” será deixado um pouco de lado e dividirá as atenções com os jogos do Flamengo, que vem passando por uma série de problemas nos últimos meses: além do goleiro, foram reveladas ligações perigosas de Love e Adriano. Agora, os três se foram. O contrato de Bruno está suspenso, o Imperador foi para a Roma e Vágner voltou ao CSKA.

Nesta quarta-feira, a Série A vai voltar e veremos o Corinthians brigando pelo tão sonhado título no Centenário. Logo na primeira rodada pós-pausa, o Timão enfrenta o Ceará, que tem a mesma pontuação e ocupa atualmente a segunda colocação, surpreendendo muita gente. O jogo será no Castelão, que deve estar lotado. Afinal, além da saudade do time, o torcedor do Vozão terá a oportunidade de voltar para casa na ponta da tabela!

A Série B também voltará. Com ela, a briga da simpática Portuguesa, comandada pelo competente Vadão e reforçada pelo artilheiro dos gols bonitos, que chega ao Canindé cercado de expectativas. E a rodada ainda terá o clássico do ABC, entre Azulão e Ramalhão, no Anacleto Campanella. Tem o Brasiliense, de Ruy Cabeção, Aloisio Chulapa e Iranildo, contra o vice-líder América-MG. Tem o Náutico recebendo o ASA de Arapiraca, que acaba de dispensar o problemático Ciel, novamente envolvido com o álcool. E não nos esqueçamos do líder Paraná, que em duas rodadas pode cair para a 12ª colocação. O futebol voltou!

Isso tudo será um aquecimento para a finalíssima da Copa do Brasil, entre Santos e Vitória. A pausa para a Copa esfriou os ânimos dos meninos, mas não tirou o favoritismo da Vila Belmiro. No entanto, há preocupações. Ganso, que poderia desfilar seu futebol arte nos gramados sul-africanos, aproveitou o tempo parado para livrar-se de dores no joelho e passou por uma artroscopia. Robinho viajou para o Mundial cheio de vontade e volta com mais um fracasso na bagagem, consciente de que voltará ao Manchester City já em agosto. André, artilheiríssimo, foi vendido ao Dínamo de Kiev e pode estar com a cabeça na Ucrânia. Keirrison será seu substituto (muito boa contratação, por sinal), mas não poderá enfrentar os baianos. Sem falar em Neymar, que terá de manter a boa fase e escapar das pancadas para decidir. Os jogos prometem!

Para completar, São Paulo e Internacional reeditam a decisão de 2006 e lutam por uma vaga na finalíssima da Libertadores 2010. O Tricolor engrenou antes da parada e terá de voltar no mesmo ritmo para atropelar o reforçado Colorado como fez com o Cruzeiro. Reforçado? Sim! Os gaúchos repatriaram Renan, Tinga e Rafael Sóbis e tentam antecipar a janela de transferências internacionais para utilizá-los ante o Tricolor. Se conseguirem, a torcida são-paulina têm motivos para se preocupar: lembram-se de 2006? Sóbis calou o Morumbi e Tinga ajudou incendiar o Beira-Rio, junto com o mesmo Fernandão, ídolo instantâneo no Morumbi.

Por falar em contratações, o Palmeiras tenta esquecer o fraco primeiro semestre apoiado nas boas lembranças do passado. A começar por Felipão, técnico multicampeão nos anos noventa, que retornará ao clube. Campeão paulista em 2008, o Gladiador Kleber também está de volta. Reestreou perdendo pênalti em amistoso contra o XV de Piracicaba, mas é nele que os palestrinos depositam a maior parcela de confiança. Belluzzo chegou a dizer que Valdívia estava perto, mas o Al Ain, atual clube do chileno, tratou de esfriar os ânimos dos brasileiros e afirmou que não liberará o jogador para retornar ao Palestra Itália. Ou melhor, ao Pacaembu. O estádio do clube passará por reformas, será modernizado e já foi fechado. Na despedida (mais uma!), derrota para o Boca Juniors. Péssimo prenúncio.

O Timão perdeu/se defez de Felipe e trouxe o paraguaio Bobadilla, que se destacou nos jogos contra o Alvinegro na Libertadores 2010. Ano passado, já havia feito boas defesas quando o seu Independiente de Medellín visitou o São Paulo e arrancou um empate no Morumbi. Por falar em São Paulo, o clube paulista conviveu com especulações envolvendo as possíveis saídas de Hernanes, Miranda, Xandão e Jorge Wagner, mas não perdeu ninguém, pelo menos por enquanto. Na porta de entrada, apenas o desconhecido zagueiro Samuel, trazido do Joinville.

E assim, está tudo pronto para o retorno à normalidade. A bola vai voltar a rolar no Brasil, ininterruptamente pelos próximos quatro anos, que antecedem a Copa do Mundo, sediada pelo país em 2014.

Bem-vindo de volta, esporte bretão!

A Copa do ineditismo

In Copa do Mundo FIFA 2010 on 13 de julho de 2010 at 18:04

Del Bosque ergue a taça do mundo (Foto: Fifa)

Acabou a Copa do Mundo do ineditismo. O continente africano passou no teste e mostrou que, ao contrário do que muitos pensavam, não é incapaz de sediar grandes eventos mundiais. Também pela primeira vez, a Espanha sagrou-se campeã. Jogando bonito, mas sem esquecer o pragmatismo que marca o “futebol moderno”.

Pragmatismo com os ótimos Xavi e Iniesta ditando o ritmo do meio-campo? Com o constante domínio da bola? Pragmatismo com um atacante tão bom como David Villa e com jogadores do naipe de Cesc Fabregas e Fernando Torres como opções no banco de reservas? Sim. Pragmatismo evidenciado pelos números: os espanhóis são os campeões com a melhor defesa da história. E com o pior ataque.

Mesmo com o brilho individual dos homens de frente, a defesa foi fator fundamental na conquista. Em toda a fase mata-mata, a Fúria não foi vazada e eliminou todos os seus adversários com vitórias por 1 a 0. Foi assim contra Portugal, Paraguai, Alemanha e Holanda. Não à toa, o apaixonado Casillas, além de ganhar destaque ao agarrar sua namorada, a repórter Sara Carbonero, em rede mundial, foi premiado pela Fifa como o melhor arqueiro da competição, batendo concorrentes de peso, como o holandês Stekelenburg e o português Eduardo, que também foram muito bem.

Quem jogou bonito mesmo neste Mundial foi a Alemanha. Quem diria? Os jovens de Joachim Low, com pouca experiência vestindo a pesada camisa tricampeã mundial, encantaram o mundo e talvez merecessem melhor sorte. Talvez se o ótimo Muller não estivesse suspenso na semifinal ante os espanhóis, o resultado final fosse outro. Talvez realmente tenha faltado experiência para o momento de decisão, mas o saldo alemão na África do Sul foi extremamente positivo. Palmas para Friederich, Lahm, Khedira, Podolski, Ozil e, mais do que nunca, para o artilheiríssimo Klose, que quase igualou o recorde de Ronaldo.

Ronaldo que foi comparado por alguns a Luis Fabiano, o Fabuloso. O atacante do Sevilla comprovou no Mundial toda a fama de artilheiro, mostrou que entende do riscado (o que dizer do golaço que marcou contra a Costa do Marfim?), mas faltou alguma coisa. Na hora da decisão, na hora que o cerco apertou, faltou ser fenômeno como é o maior artilheiro da história das Copas.

Kaká, que deveria chegar à sua terceira Copa do Mundo no auge da forma física e técnica, também não foi tudo que poderia. Disputou a competição com 80% das condições e não conseguiu ser o líder que todos esperavam que fosse. Daqui quatro anos, o meio-campista do Real Madrid estará com 32 anos e talvez assista de casa a saga de Hernanes, Ganso, Neymar e cia.

Quem com certeza estará em casa é Felipe Melo, a aposta de Dunga. Faltou inteligência e tranquilidade ao bom volante da Juventus, que fez de tudo para ser expulso no confronto contra Portugal e conseguiu o feito no fatídico duelo com os holandeses. Diante da Laranja, aliás, ele poderia ganhar o perdão do povo brasileiro, que tanto o criticou antes do início da competição. O passe magistral para o gol de Robinho, no ótimo primeiro tempo da Seleção, nos deu a falsa impressão do “agora vai!”, mas o segundo tempo lamentável nos fez comprovar que faltava qualidade no banco de reservas. Mas disso todos sabiam.

O que todos também sabiam era que a fraca defesa argentina poderia abreviar a campanha dos comandados de Maradona, tão bons com a bola nos pés. Dito e feito. Humilhados pela Alemanha nas quartas de final, os hermanos também terão de esperar por 2014 para tornarem a erguer uma taça, assim como as decepcionantes seleções de Itália e França, que chegaram sem muita confiança, mas surpreenderam ao ir embora ainda na primeira fase.

Surpresa maior foi a Holanda, que correu o risco de não poder contar com Robben, lesionado pouco antes da estreia, e acabou chegando à final, muito ajudada pela boa fase do jogador do Bayern de Munique, que acabou virando vilão ao desperdiçar ótimas oportunidades contra a Espanha, aquela que poderia consagrar a truculência mecânica da Laranja, que, além de Robben, contava com um igualmente talentoso Sneijder, indicado ao prêmio de melhor do Mundial, assim como companheiro.

Prêmio entregue, com muita justiça, ao uruguaio Diego Forlán. Aliás, o honroso quarto lugar parece pouco para a garra demonstrada pela Celeste Olímpica, que emocionava a cada jogo. O que dizer das quartas de final, contra os também digníssimos ganeses? A mão na bola de Suárez, no lance final da prorrogação, pode ser considerada por muitos como trapaça, mas não houve nada mais emocionante em todo o Mundial do que o pênalti perdido por Gyan e a consequente classificação sul-americana, selada pela loucura de Loco Abreu na cobrança da última penalidade.

Daqui quatro anos tem mais! E será aqui no Brasil. Esperamos que o futebol jogado seja mais bonito, que o Brasil vá mais longe do que nas últimas duas Copas e que as poucas falhas na organização africana sirvam de exemplo para os governantes brasileiros. Mas será muito bom ver toda a emoção, todo o charme da competição mais importante do mundo em terras brasileiras.

E fica a dúvida: quem serão os personagens da Copa do Brasil, sucessores do povo Paul, da linda Larissa Riquelme e do pé-frio Mick Jagger? Em quatro anos, teremos a resposta!

Até lá.

Resumo da 4ª rodada

In Brasileirão 2010 on 29 de maio de 2010 at 23:04

Inexplicavelmente, a rodada do meio de semana reservava os dois primeiros grandes clássicos do campeonato.

No Morumbi, assim como no Maracanã, as arquibancadas estiveram longe da lotação máxima. Melhor para os tricolores que presenciaram as boas vitórias de seus times sobre os rivais. O São Paulo bateu o Palmeiras e o Flu venceu o Fla, com show de Conca e gol do goleiro Bruno.

Destaque também para o show de gols no Barradão e para o primeiro ponto conquistado pelo Goiás.

A rodada teve média de 2,3 gols por partida e deixou a classificação assim:

Corinthians – 10 pontos

Santos – 8

Cruzeiro – 8

Ceará – 8

Avaí – 7

Botafogo – 7

São Paulo – 7

Palmeiras – 7

Fluminense – 6

Atlético-MG – 6

Flamengo – 5

Guarani – 5

Grêmio – 4

Vitória – 4

Atlético-PR – 4

Vasco – 4

Grêmio Prudente – 4

Internacional – 3

Atlético-GO – 1

Goiás – 1

Quarta-feira, 26 de maio

VITÓRIA 4×3 ATLÉTICO-MG – Barradão

GOLS: Schwenck (3) e Evandro (Vit); Muriqui, Ricardinho e Diego Tardelli (CAM)

GRÊMIO 3×0 AVAÍ – Olímpico

GOLS: Jonas (2) e Fábio Rockemback

FLUMINENSE 2×1 FLAMENGO – Maracanã

GOLS: Rodriguinho e Conca (Flu); Bruno (Fla)

SÃO PAULO 1×0 PALMEIRAS – Maracanã

GOL: Fernandão

GRÊMIO PRUDENTE 2×2 CORINTHIANS – Prudentão

GOLS: Wanderley e Diego (Grê); William e Bruno César (Cor)

SANTOS 3×1 GUARANI – Vila Belmiro

GOLS: Neymar, Marcel e André (San); Baiano (Gua)

CRUZEIRO 1×0 BOTAFOGO – Mineirão

GOL: Thiago Ribeiro

Quinta-feira, 27 de maio

VASCO 3×2 INTERNACIONAL – São Januário

GOLS: Andrezinho (2) para o Inter; Elton, Philippe Coutinho e Nilton (Vas)

ATLÉTICO-PR 2×1 ATLÉTICO-GO – Arena da Baixada

GOLS: Paulo Baier e Wagner Diniz (CAP); Elias (ATL-GO)

GOIÁS 0x0 CEARÁ – Serra Dourada